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Sustentabilidade

Anne Marcikevics defende ampliação do mercado de capitais como condição para amadurecimento regulatório

Especialista afirma no Sustentalks que democratização do acesso, multiplicação dos agentes e redução da dependência do financiamento público são elementos necessários para o…

Por Portal Global ESG
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Anne Marcikevics defende ampliação do mercado de capitais como condição para amadurecimento regulatório

A ampliação da base de empresas e investidores deve ocupar posição central na construção de um mercado brasileiro mais preparado para incorporar exigências de sustentabilidade, afirmou Anne Marcikevics durante entrevista ao Sustentalks.

Advogada e doutora em Direito Econômico e Financeiro pela Universidade de São Paulo, Anne avaliou que o mercado nacional ainda apresenta limitações estruturais quando comparado a ambientes mais consolidados.

“ Quando a gente olha para o mercado brasileiro, a gente olha para um mercado que engatinha ”, declarou.

Segundo ela, o número de companhias com acesso ao mercado de capitais permanece reduzido diante das dimensões econômicas, territoriais e populacionais do país.

Democratização do acesso

Anne afirmou que a discussão sobre novos padrões de reporte precisa ocorrer paralelamente ao esforço para ampliar a participação empresarial.

“ A democratização que precisa vir e a ampliação de acesso ao mercado para redução de custos de captação, de investimento e de circulação econômica passam necessariamente por uma multiplicação dos agentes ”, disse.

A especialista destacou que empresas com faturamento elevado e estruturas consolidadas já representam parcela significativa do mercado atual.

Nesse cenário, a adoção de critérios muito complexos pode dificultar o ingresso de novos emissores caso não seja acompanhada de proporcionalidade e apoio à transição.

“ Precisamos priorizar uma ampliação do acesso, uma ampliação de opção do mercado de capitais e uma redução da dependência da estrutura pública ”, afirmou.

Grandes companhias já enfrentam demandas internacionais

Anne observou que grandes empresas brasileiras já produzem relatórios de sustentabilidade, muitas vezes em razão de sua presença em outros mercados ou da demanda de investidores globais.

“ As blue chips que hoje operam no nosso mercado já voluntarizam. Elas não voluntarizam porque a CVM exige. Voluntarizam porque têm títulos vinculados em outros mercados mais maduros que trazem isso como requisito ”, explicou.

A avaliação demonstra que a adoção voluntária não significa ausência de incentivos.

Empresas internacionalizadas podem estar sujeitas a pressões econômicas, reputacionais e contratuais suficientes para justificar o investimento no reporte.

Transparência permanece indispensável

Apesar de defender uma transição compatível com a realidade brasileira, Anne ressaltou a importância da transparência sobre riscos.

Segundo ela, fatores ambientais, tributários e trabalhistas podem comprometer operações e investimentos.

“ O que trava a operação em si é o risco. Quando não é o risco trabalhista, é o risco tributário ou é o risco ambiental ”, afirmou.

Para a especialista, antecipar essas informações pode favorecer decisões mais seguras.

“ É interessante antecipar esse critério? É indispensável essa transparência? Eu entendo que sim. O mercado vai trazer isso cada vez mais ”, disse.

A ponderação reforça que a discussão não se limita à existência ou à ausência do reporte. Ela envolve o ritmo de implementação, a capacidade das empresas e a qualidade das informações.

Finanças sustentáveis e prioridades de longo prazo

Ao final do episódio, Natascha Schmitt perguntou como Anne compreendia o futuro das finanças sustentáveis.

A especialista destacou a necessidade de escolhas e priorização, tanto na gestão privada quanto no uso dos recursos públicos.

“ Quando a gente está falando de finanças públicas e de uma base operacional de longo prazo, está falando de elencar prioridades, de maturidade de mercado e de escolhas ”, afirmou.

No setor privado, essas decisões estão relacionadas à rentabilidade e ao retorno dos investimentos. No setor público, devem considerar benefícios mais amplos para a sociedade.

“ Falamos de proteção ao meio ambiente e de proteção aos interesses coletivos, que necessariamente precisam ser as nossas principais agendas de longo prazo ”, concluiu.

Sobre esta série

Esta é a quinta reportagem da série especial do Portal Global ESG sobre a estreia da terceira temporada do Sustentalks.

A cobertura apresenta as contribuições dos participantes para a compreensão do reporte de sustentabilidade como instrumento relacionado à transparência, à eficiência econômica, ao desenvolvimento do mercado e à proteção de interesses coletivos.

Assista à entrevista na íntegra

Sustentalks — Terceira temporada

Episódio: “Sustentabilidade e CVM: recuo ou aprimoramento?”

Entrevista completa no canal do Sustentalks no YouTube:

https://youtu.be/EMjCqmPDBsA?is=yPmM9wnYYvgUgy3

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Fonte e versão original

Portal Global ESG

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