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Marco de Cooperação Brasil–ONU 2023–2027

Dossiê interativo com carrossel navegável, cinco eixos, nove resultados, governança, série 2023–2025, vínculos institucionais e instrumentos práticos para transformar o Marco Brasil–ONU em leitura aplicável.

Impacto institucional · Cooperação internacional · Agenda 2030

Marco de Cooperação Brasil–ONU 2023–2027

Uma leitura documental, estratégica e operacional do principal instrumento que organiza o apoio do Sistema das Nações Unidas ao Brasil para o desenvolvimento sustentável — da formulação dos cinco eixos à avaliação de resultados e à preparação do ciclo posterior a 2027.

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O Marco em uma leitura de 60 segundos

HorizonteArquiteturaEntrega previstaBase participativa
2023–2027
Ciclo programático
5 eixos
Interdependentes
9 resultados e 36 produtos
Matriz oficial
Quase 2,7 mil pessoas e cerca de 300 instituições
Consultas de 2021–2022

O documento foi elaborado conjuntamente pelo Governo brasileiro e pelo Sistema ONU. Em sua formulação, o Sistema ONU reunia 24 agências especializadas, fundos e programas no país; o relatório de 2025 registra 25 entidades em atuação. Esses números não são intercambiáveis com o total de organizações consultadas, parceiros de implementação ou integrantes de grupos focais.

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CARROSSEL EXPLICATIVO · PUBLICAÇÃO ORIGINAL

Oito cards, agora navegáveis dentro da LP

Use as setas da própria publicação para percorrer os oito cards. O conteúdo visual funciona como porta de entrada; as seções seguintes aprofundam, verificam e operacionalizam cada conceito apresentado.

Publicação de Sóstenes Marchezine, 14 de julho de 2026. Caso o Instagram limite a incorporação, abra o post original.

ENQUADRAMENTO JURÍDICO-INSTITUCIONAL

O que o Marco é — e o que ele não é

ÉNão é
Instrumento político, programático e operacional de coordenação entre o Estado brasileiro e o Sistema ONU.Tratado internacional, lei, decreto ou norma autônoma com força cogente equivalente à legislação interna.
Referência para planejamento, implementação, monitoramento, avaliação, financiamento, parcerias e produção de conhecimento.Autorização genérica para terceiros afirmarem representação, chancela, parceria ou coautoria da ONU.
Arquitetura integrada de resultados, produtos, governança e aprendizagem.Lista isolada de projetos ou catálogo promocional de intenções.

A leitura correta evita dois erros opostos: reduzir o Marco a uma declaração simbólica ou atribuir-lhe efeitos jurídicos e vínculos institucionais que o documento não produz.

LINHA DE RACIOCÍNIO

Da Agenda 2030 à mudança verificável

  1. Diagnóstico: a Análise Comum de País e as consultas identificam desigualdades, capacidades e riscos.
  2. Priorização: os desafios são organizados em cinco eixos que devem operar transversalmente.
  3. Resultados: nove mudanças esperadas definem a direção até 2027.
  4. Produtos: 36 entregas estruturam assistência técnica, conhecimento, políticas, serviços e capacidades.
  5. Implementação: programas conjuntos, cooperação técnica, parcerias, financiamento e coordenação interagencial conectam estratégia e execução.
  6. Monitoramento e avaliação: relatórios anuais, revisão de meio-termo e avaliação independente verificam progresso, limites e aprendizados.
  7. Transição: evidências do ciclo vigente devem informar o próximo Marco e o horizonte posterior à Agenda 2030.
Atividade não é sinônimo de impacto. Reuniões, cursos, publicações e projetos ganham valor quando demonstram contribuição plausível para mudanças institucionais, sociais, econômicas ou ambientais.

ARQUITETURA ESTRATÉGICA

Cinco eixos que não podem funcionar em silos

1. Transformação econômica para o desenvolvimento sustentável

Integra produtividade, inovação, transformação tecnológica e digital, competitividade, cadeias produtivas, trabalho decente, inclusão econômica e dimensão socioambiental. A pergunta operacional é: o crescimento amplia capacidades e oportunidades sem transferir custos sociais e ambientais?

Conexões internas: Governança Tributária Sustentável, Economia Circular e Cadeias Produtivas Sustentáveis e Inovação e Tecnologias Limpas.

2. Inclusão social para o desenvolvimento sustentável

Articula redução da pobreza e da fome, saúde, educação transformadora, proteção social, políticas de cuidados, sistemas de garantia de direitos e igualdade de oportunidades. Exige dados desagregados para revelar exclusões territoriais, raciais, geracionais, de gênero e relacionadas à deficiência.

Conexões internas: GT de Inclusão Social PCD e Empregabilidade Inclusiva e Inclusão Social e Diversidade.

3. Meio ambiente e mudança do clima

Reúne conservação, restauração, biodiversidade, redução da poluição, consumo e produção sustentáveis, segurança hídrica, alimentar, sanitária e energética, mitigação, adaptação, descarbonização e redução de riscos de desastres.

Conexões internas: Economia Circular, Financiamentos Diferenciados e Inclusivos e a Iniciativa de Parametrização ESG/ODS.

4. Governança e capacidades institucionais

É eixo específico e, ao mesmo tempo, infraestrutura dos demais: Estado Democrático de Direito, políticas baseadas em evidências, participação popular, integridade, prevenção da corrupção e da violência, transparência, inovação e coordenação federativa.

Conexões internas: Pacto Brasil pela Integridade Empresarial, Governança Ética e Transparente e Conselho de Alinhamento aos ODS.

5. Relação entre ações humanitárias e desenvolvimento sustentável

Conecta prevenção, preparação, resposta, recuperação e fortalecimento de capacidades para crises e desastres, com atenção a populações afetadas, pessoas refugiadas, migrantes, apátridas e outros grupos em situação de vulnerabilidade.

Conexões internas: Responsabilidade Humanitária e Rio Grande do Sul · memória e solidariedade.

MATRIZ OFICIAL · LEITURA OPERACIONAL

Os nove resultados esperados até 2027

EixoResultadoO que observar na prática
1Transformação econômica sustentável, inclusiva e sensível a geração, gênero, raça e etnia.Produtividade, inovação, descarbonização, competitividade e capacidades humanas.
1Inclusão econômica com redução da pobreza, fome, vulnerabilidades e desigualdades.Educação, trabalho decente, renda, proteção social, cuidados e infraestrutura resiliente.
2Políticas sociais mais intersetoriais, inclusivas, participativas, efetivas e baseadas em evidências.Cobertura, qualidade, coordenação, focalização e redução de desigualdades.
2Sistemas de garantia de direitos fortalecidos e coordenados.Prevenção de violações, enfrentamento das discriminações e participação social.
3Conservação e restauração ambiental, redução da poluição e produção e consumo sustentáveis.Biodiversidade, circularidade, água, saneamento, energia e segurança alimentar.
3Mitigação e adaptação climática, redução do desmatamento e de riscos de desastres.Resiliência territorial, proteção de povos e comunidades e economia descarbonizada.
4Governança, legislação, capacidades e articulação institucional fortalecidas.Integridade, transparência, evidências, participação e cooperação entre instituições.
4Maior acesso a bens, serviços públicos, inclusão digital e processos decisórios.Qualidade do serviço, acesso a direitos, tecnologia inclusiva e não discriminação.
5Capacidades para prevenir, mitigar e responder a crises humanitárias e desastres.Preparação, resposta coordenada, recuperação resiliente e proteção de grupos afetados.

CRITÉRIOS TRANSVERSAIS

Seis filtros para avaliar qualquer iniciativa

  • Não deixar ninguém para trás: quem não aparece nos dados, no orçamento, no serviço ou na decisão?
  • Direitos humanos: quais titulares, deveres, riscos e mecanismos de reparação estão envolvidos?
  • Igualdade de gênero e empoderamento das mulheres: há efeitos diferenciados e participação substantiva?
  • Resiliência: a solução reduz vulnerabilidades futuras ou apenas responde ao problema imediato?
  • Sustentabilidade: os ganhos sociais, econômicos e ambientais são duráveis e intergeracionais?
  • Transparência e participação: decisões, recursos, resultados e limitações são verificáveis?

GOVERNANÇA E IMPLEMENTAÇÃO

Quem transforma prioridades em execução

CamadaFunçãoPergunta de controle
Comitê Diretivo ConjuntoDireção político-estratégica, alinhamento, revisão e transição do ciclo.As prioridades nacionais e os resultados do Marco continuam alinhados?
Grupos de ResultadosCoordenação tática por eixo e integração entre entidades.Produtos e iniciativas convergem para mudanças compartilhadas?
Grupos interagenciaisTransversalização de gênero, raça, etnia, juventude e deficiência.Os grupos historicamente invisibilizados aparecem no desenho e nos dados?
Planos e relatórios anuaisProgramação, recursos, entregas, transparência e aprendizagem.O que foi entregue, com quanto recurso, para quem e com qual evidência?
Avaliação independenteAnálise de relevância, eficiência, eficácia, impacto e sustentabilidade.O que deve continuar, mudar, escalar ou ser encerrado no próximo ciclo?

PAINEL DE IMPLEMENTAÇÃO · 2023–2025

A série histórica revela escala e maior intensidade financeira

Ano de implementaçãoEntidades ONUIniciativasInvestimentoLeitura
202324281US$ 122,8 milhõesPrimeiro ano do novo Marco.
202424351US$ 155 milhõesExpansão de 24,9% no número de iniciativas.
202525338US$ 213 milhõesRevisão de meio-termo e aumento de 37,4% do investimento sobre 2024.

Leitura analítica: entre 2023 e 2025, o investimento informado cresceu 73,5%, enquanto o número de iniciativas aumentou 20,3%. A razão financeira média por iniciativa passou de aproximadamente US$ 437 mil para US$ 630 mil. Esse cálculo indica maior intensidade financeira média — não prova, isoladamente, eficiência, adicionalidade ou impacto.

O relatório de 2025 registra 253 parceiros e destaca contribuições para 85 políticas públicas, além da preparação da COP30, do Fundo Brasil–ONU para a Amazônia, da saída do Brasil do Mapa da Fome e da própria revisão de meio-termo do Marco.

INSTRUMENTO PRÁTICO

Matriz de aderência para projetos, políticas e parcerias

Use esta sequência antes de afirmar que uma iniciativa contribui para o Marco. O objetivo é substituir associação retórica por nexo demonstrável.

CampoPergunta operacionalEvidência mínima
Problema públicoQual desigualdade, risco ou déficit de capacidade será enfrentado?Diagnóstico, linha de base e população/território.
Eixo e resultadoA qual dos cinco eixos e dos nove resultados a iniciativa contribui?Justificativa de aderência, sem marcar todos por conveniência.
ODS, metas e indicadoresQual objetivo, meta e indicador mede a contribuição?Indicador com fonte, periodicidade e desagregação.
Produto e mecanismoQual entrega produz a mudança esperada?Responsável, cronograma, orçamento e risco.
SalvaguardasQuem pode ser excluído, prejudicado ou não ouvido?Participação, acessibilidade, direitos humanos e canal de resposta.
ResultadoO que mudou além da realização da atividade?Comparação com linha de base e explicação de contribuição.
ContinuidadeA capacidade permanece depois do projeto?Institucionalização, orçamento, norma, equipe ou transferência de conhecimento.

Abrir a Iniciativa de Parametrização ESG/ODS para relacionar dimensões ESG, Princípios ESG20+, objetivos, metas e indicadores dos ODS.

AUTOAVALIAÇÃO RÁPIDA

Teste de prontidão para alinhamento responsável

Marque os itens que já possuem evidência. Itens não marcados formam a agenda de trabalho.

Como interpretar

0–3 itens: alinhamento ainda declaratório. 4–6: desenho promissor, mas incompleto. 7–8: base consistente para validação técnica. A marcação não certifica aderência; orienta a diligência.

MEMÓRIA DOCUMENTAL

A participação de Sóstenes Marchezine no processo

Sóstenes Marchezine participou por designação do Senado Federal, na condição de Secretário-Executivo do Grupo Parlamentar Brasil–ONU do Congresso Nacional e integrante do grupo de trabalho relacionado à consolidação do Marco. O valor institucional desse registro está na experiência de diálogo, escuta, articulação entre Poderes e construção de convergência.

Delimitação indispensável: essa participação pessoal e funcional não transforma o Instituto Global ESG em signatário, coautor formal, integrante da governança do Marco ou representante do Governo brasileiro ou do Sistema ONU. A atuação atual do Instituto consiste em memória, sistematização, inteligência, educação e conexão responsável com agendas próprias.

Em artigo publicado em 15 de julho de 2026, Sóstenes propõe três movimentos: compreender o Marco; avaliar rigorosamente resultados, lacunas e capacidades; e iniciar desde já a transição para o ciclo seguinte.

Ler o artigo integral no Migalhas

INTELIGÊNCIA DE VÍNCULOS

Como o Marco conversa com o ecossistema do Instituto

Ativo institucionalNexo com o MarcoAplicação
Iniciativa de Parametrização ESG/ODSConecta estratégia, metas, indicadores e evidências.Matriz de aderência e monitoramento consorciado.
Conselho de Alinhamento aos ODSGovernança de convergência entre ESG e Agenda 2030.Priorização, validação e aprendizagem colegiada.
Cooperação Regional e InternacionalCapacidades, conhecimento e parcerias multissetoriais.Cooperação técnica e diálogo internacional.
Pacto Brasil pela Integridade EmpresarialIntegridade e confiança como infraestrutura do desenvolvimento.Governança, prevenção, transparência e compromissos verificáveis.
Inclusão Social PCDNão deixar ninguém para trás e dados relacionados à deficiência.Acessibilidade, empregabilidade, evidências e garantia de direitos.
Responsabilidade HumanitáriaNexo humanitário–desenvolvimento e resiliência.Prevenção, resposta, reconstrução e proteção.
ESG 20 Anos e legado de Kofi AnnanConvergência entre responsabilidade empresarial, multilateralismo e desenvolvimento sustentável.Da formulação de princípios à implementação com governança.
ONU–ISO e sistemas de gestão dos ODSTransforma objetivos políticos em processos, responsabilidades e melhoria contínua.PAS 53002, ISO/UNDP 53002 e IWA 48.

Os vínculos acima expressam convergência temática e capacidade de aplicação. Não constituem, por si, parceria, chancela ou relação formal com a ONU.

LINHA DO TEMPO

Da consulta à transição

  1. 2021: consultas ligadas à Análise Comum de País alcançam mais de 1,2 mil pessoas e cerca de 200 instituições.
  2. 2022: consulta pública online reúne mais de 1,4 mil respostas; nove grupos focais reúnem 82 pessoas de 68 instituições; mesas temáticas refinam prioridades.
  3. 1º de agosto de 2023: assinatura do Marco e início da implementação do ciclo.
  4. 2024: publicação dos resultados de 2023 e consolidação dos mecanismos de prestação de contas.
  5. 2025: 351 iniciativas relativas ao ano de 2024 e expansão do investimento para US$ 155 milhões.
  6. 2026: relatório do ano de 2025 registra revisão de meio-termo, 338 iniciativas e US$ 213 milhões.
  7. 2027: encerramento do ciclo, avaliação final independente e preparação do novo Marco.
  8. Pós-2027: ciclo sucessor deverá acelerar entregas pendentes da Agenda 2030 e preparar a transição para a arquitetura global posterior a 2030.

AGENDA DE FUTURO

O próximo Marco precisará resolver uma dupla transição

O sucessor do ciclo 2023–2027 deverá combinar temas estruturais — pobreza, fome, saúde, educação, saneamento, desigualdades e direitos humanos — com agendas que ganharam centralidade: inteligência artificial, direitos digitais, integridade informacional, cibersegurança, bioeconomia, economia circular, adaptação climática, transição justa, financiamento de perdas e danos, infraestruturas críticas e resiliência democrática.

  • Avaliar antes de renovar: identificar relevância, eficácia, eficiência, sustentabilidade, adicionalidade, lacunas e capacidades incorporadas.
  • Planejar com territórios: envolver governos subnacionais e populações afetadas desde o diagnóstico.
  • Financiar mudanças sistêmicas: conectar orçamento público, investimento privado, crédito, cooperação e critérios de impacto.
  • Qualificar a participação privada: exigir devida diligência, direitos humanos, integridade, metas e transparência.
  • Preservar participação e memória: registrar decisões, dissensos, boas práticas e lições aprendidas.

TRANSPARÊNCIA E APROFUNDAMENTO

Fontes e documentos verificáveis

  1. ONU Brasil e Governo brasileiro — Marco de Cooperação 2023–2027.
  2. ONU Brasil — página oficial da publicação.
  3. ONU Brasil — Relatório Anual 2023.
  4. ONU Brasil — Relatório Anual 2024.
  5. ONU Brasil — Relatório Anual 2025.
  6. ONU — Relatório dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 2025.
  7. Sóstenes Marchezine — análise do ciclo e da transição.
  8. Carrossel explicativo original — oito cards.

Dados quantitativos reproduzem os anos de implementação informados nos relatórios oficiais. Inferências analíticas estão identificadas como leituras e não substituem a avaliação independente do Marco.